Pólen de abelha

Foto Abelha

Rica fonte de nutrientes, ainda pode ser usado como tratamento complementar em casos de câncer

O pólen de abelha pode ser definido como um aglomerado de pólen de flores de fontes botânicas misturado com substâncias, néctar e saliva de abelhas, sendo essencial para a polinização e desenvolvimento dos frutos. A coleta do pólen das anteras das flores é feita pelas abelhas operárias. Elas o transportam para a colmeia com a ajuda de uma espécie de “pente” anatômico, o qual permite arrastar os sedimentos do pólen.

O pólen é armazenado na colmeia e, por veicular proteínas, sais minerais e produtos biológicos específicos para as abelhas, sua principal função é servir de alimento às larvas. Durante sua vida, uma abelha operária necessita em média de 145 mg de pólen e, embora ela mesma seja responsável pela coleta, ele não tem origem animal.

Para obter pólen para uso humano, os apiários instalam armadilhas à entrada da colmeia. Ali as abelhas perdem suas pelotas de pólen, as quais ficam depositadas em um recipiente próprio.

A composição do pólen varia conforme as espécies de plantas, bem como recebe influência da idade e da condição nutricional ambiental da planta. Sendo assim, ele representa uma mistura de pólens florais coletados pelas abelhas com ampla variação em sua composição. Cada grão de pólen apresenta parede externa quimicamente estável, porém, morfologicamente muito variável.

Medicamento ou alimento?

Devido a suas propriedades terapêuticas e valores nutricionais, o pólen tem sido usado como medicamento e como alimento. Ele é considerado alimento em muitos países, sendo protegido por limites e padrões de qualidade na Polônia, Suíça e Brasil. Na medicina, o pólen tem sido usado no tratamento de constipações, gripes, úlceras, rinites alérgicas, envelhecimento precoce e na cicatrização de feridas. Mas, devido à composição heterogênea, sua eficácia medicinal é variável.

Nos últimos anos, o pólen de abelha ganhou destaque graças à descoberta de mais de 250 compostos bioativos benéficos à saúde humana. Dentre esses, os polifenóis, principalmente flavonoides (miricetina, dihidromiricetina, quercetina e isoramnetina), são os de maior interesse. Os polifenóis têm forte atividade antioxidante, captando radicais livres e inibindo a peroxidação lipídica.

Ademais, ensaios usando cultura de células, animais e humanos, mostraram que o pólen contém propriedades anti-inflamatória, antimicrobiana, anticancerígena, antimutagênicas que ainda atuam como imunomoduladores.

Em 2016, pesquisadores da Universidade de Sains Malaysia fizeram experimento laboratorial submetendo células cancerígenas ao estrato de pólen. Foi visto que o pólen pode ser usado como tratamento complementar para as drogas empregadas na quimioterapia, coma possibilidade de reduzir a dose requerida de medicação, classificando o pólen como potencial agente quimiopreventivo. Ne entanto, permanecem desconhecidos os mecanismos moleculares pelos quais o pólen exerce atividade antiproliferativa.

Nutrientes

O pólen é uma rica fonte de nutrientes que inclui proteínas, carboidratos (glicose e frutose), lipídios (triglicerídeos, fosfolipídios), fibras, minerais e vitaminas. Em relação às proteínas, pelo menos 18 aminoácidos estão presentes. Dentre os minerais, são encontrados zinco, e selênio, ambos associados ao poder antioxidante do pólen, além de teores expressivos de cálcio, magnésio, manganês, fósforo e ferro. Conforme dito, deve ser notado que o conteúdo químico de pólen é irregular, o que explica certa variação nos nutricionais.

No Brasil, o pólen comercializado deve atender a alguns requisitos físico químicos, a saber: umidade máxima de 30%; Cinzas máximo de 4%; lipídios, mínimo de 1,8%; proteínas, mínimo de 8%; açúcares totais de 14,5 a 55,0%; fibra, mínimo de 2% e pH entre 4 a 6. Visando a uma ingestão segura, a quantidade de 25 g/dia de pólen contribui nutricionalmente sem extrapolar os limites máximos recomendados.

Perspectivas

Estudo polonês avaliou o potencial de aplicação de pólen como suplemento dietético na confecção de biscoitos fortificados. Os resultados foram satisfatórios com concentrações de 5, 7,5  e 10% de pólen, boa aceitação sensorial, embora  os biscoitos tenham ficado mais escuros do que o controle. Os resultados foram publicados em 2015 na revista LWT – Food Science anda Technology.

Outros estudos têm adicionado pólen de abelha a produtos industrializados, susceptíveis à oxidação, com resultados promissores.

Todavia, outro aspecto tem chamado a atenção dos pesquisadores nos últimos anos: a quantidade de pesticidas presentes no pólen. A revista Nature Comunications (2016) mostrou que as abelhas que frequentavam plantações de milho na Europa carregavam pólen de mais de 30 famílias de plantas, sendo muitas ornamentais. O surpreendente foi a quantidade de pesticidas presentes no pólen das abelhas, mais de 30 tipos, majoritariamente pertencentes às classes de fungicidas, herbicidas e inseticidas (piretroides). Esses últimos indicam procedência doméstica por serem usados contra parasitas em gatos e cachorros.

Da Revista Vida e Saúde