A IDADE MÁGICA DE 100 ANOS DE LAURO SCHERER

Foto 2 Vô Lauro e o bisneto Erick

Lauro Scherer completa 100 anos de vida neste dia 1º de Outubro de 2021

Apresentamos alguns episódios da história de vida do Sr. Lauro Scherer que foram contados por ele em uma tarde fria do mês de julho do ano de 2021. Ouvir essas histórias, contadas com muita lucidez e sabedoria, foi muito gratificante e nos enche de orgulho e gratidão. Na roda de conversa, seu Lauro estava sentado ao lado do fogão à lenha e assim, entre uma pergunta e outra, foi nos contando algumas lembranças da sua vida e nos ensinando sobre a importância do cuidado com a preservação da vida, com a celebração da fé e da importância de termos a nossa família.   

Lauro Scherer nasceu no dia 1º de outubro de 1921, na Vila São Francisco, município de Cerro Largo, filho de Emílio João Scherer e Josefina Zimmer Scherer, sendo o quarto de dez filhos, dos quais ainda vivem o Sr. Adolfo Scherer e a Sr.ª Lúcia Scherer Butzen.

Aos dois anos de idade, Lauro foi morar com seus pais no local onde hoje é a sua atual residência, na Vila São Francisco.

Sobre as lembranças da sua infância, Lauro conta que crianças não participavam de festas, pois isso era coisa de adulto. Lembra que aos 13 anos de idade, recebeu o seu primeiro par de chinelos e ao celebrar a comunhão solene, aos 11 anos de idade, usou o sapato de um dos seus irmãos mais velho, o Norberto. Da época de escola, Lauro conta que a sua maior dificuldade era aprender a língua portuguesa, da qual teve aulas de reforço na adolescência, essas ministradas durante a noite. Com carinho, lembra das festas de escola, pois essas foram as primeiras que pôde participar e, na conversa que foi sendo alinhada, suspeitamos que foi nessas festas de escola que ele conheceu e se apaixonou pela Dona Érica, com quem se casou no ano de 1946.

Lauro conta que antes dos 18 anos, não era permitida a entrada em Clubes e, nesta época, uma das atividades de diversão e passatempo era a realização de corridas a cavalo. Com muito entusiasmo, conta que aos 14 anos já arava a terra, sendo que desde cedo aprendeu a importância de auxiliar a sua família na lida do campo. Ao perguntarmos sobre qual o serviço que mais gostava de fazer, Lauro diz com muita convicção de que era arar a terra e carpir.

Em 1943, aos 22 anos, foi servir ao exército, em São Luiz Gonzaga, em Santo Ângelo e, em seguida, foi para São Borja, num total de dois anos de serviço militar. Todas essas mudanças foram realizadas a cavalo ou com trens boiadeiros, nos quais ficavam sentados e enrolados em cobertores. Nesse período, a formatura de seu Lauro no exército foi antecipada, tendo em vista a necessidade de soldados para auxiliar na 2ª Guerra Mundial, mas na perícia médica, Lauro foi dispensado de servir devido a uma inflamação nos olhos.

Ao retornar do serviço militar, ele prestou serviços remunerados na agricultura, trabalhando de diarista e, no ano de 1946, aos 25 anos de idade, casou-se com Érica Rauber com a qual teve a felicidade de festejar Bodas de 70 anos de casamento. Após dois anos de casados, já com uma filha, Lauro e Érica foram morar para Linha Amadeu Sul, onde compraram dois lotes de terra com 10 hectares cada. Lauro conta que a mudança foi realizada pela travessia à barca e assim, cada vez que vinha à negócios, para a vila São Francisco, tinha que atravessar a barca, ou então, quando possível, a cavalo ou carroça pelo rio ou a pé pela pinguela (para poupar o dinheiro da barca). Após 12 anos residindo na Linha Amadeu Sul, já com 8 filhos, a família de Lauro retornou para a Vila São Francisco, sendo que esta mudança foi feita com auxílio de um caminhão e, também de carroça. De início, em torno de três anos, a família morou com os pais de Lauro, os quais, em seguida foram morar mais próximo do “centro” da Vila São Francisco. Segundo Lauro, sua mãe sempre teve a intenção de morar mais próximo da igreja. Esse retorno para a vila São Francisco, além de ficarem mais próximos da família, teve como objetivo estar mais perto da igreja e dos lugares onde eram realizados os negócios da família, como o moinho, a ferraria, a confecção de selas e o bolicho.

Em questão de lazer e diversão, Lauro conta que gostava muito de ajudar na organização de festas, sendo que foi presidente da Sociedade Cultural e sempre que possível, estava envolvido nas diretorias. “Era muito mais divertido participar de uma festa com todas as suas atividades, desde o planejamento e a organização”, afirma com orgulho. Lauro destacou que era integrante de um quarteto quase imbatível no jogo de bocha, do qual participavam junto com ele, seu irmão Ervino, seu cunhado Arno Butzen e o compadre Humberto Haas.  Na década de 60, Lauro teve em frente à sua casa uma cancha de bocha e de bolão e o que mais gostava era de jogar bocha. Com o tempo, passou a gostar também de um jogo de canastra e Schoff Kopp, o qual, joga até hoje com muita atenção.

Ao ser perguntado sobre uma das suas primeiras viagens, Lauro brinca dizendo que as primeiras viagens foram de carroça, em seguida, lembrou de uma viagem que foi realizada no ano de 1963, para o Paraná,  onde visitou seu irmão Norberto que havia se mudado no ano de 1959. “Essa viagem foi realizada numa carroceria de caminhão e durou três dias” – conta. Outras viagens foram realizadas com a finalidade de negócios, como por exemplo, se deslocar a cavalo para a cidade de Alecrim para comprar farinha.

Na conversa, Lauro destaca com orgulho o seu serviço na lavoura, que sempre deu sustento a sua família e lembra que, se a noite não tivesse carne para janta, eram preparados ovos, e assim, com essa firmeza, com o gosto de arar e carpir a terra, com a ajuda sempre presente da esposa Sr.ª Érica, que faleceu no dia 07 de outubro do ano de 2017, com a fé em Deus, eles constituíram uma família com 15 filhos (três in memoria), 33 netos e 33 bisnetos (uma in memoria).

O sol já estava indo embora e a prosa da tarde teve que ser encerrada, mas ficamos todos muito felizes em conversar, em poder ouvir parte da história de vida do Sr. Lauro que sempre nos encanta com a sua simplicidade e sabedoria. Todos temos muita sorte de termos a chance de conviver e de ouvir as histórias do pai, avô e bisavô Lauro, que nos conta as suas memórias com muita calma, serenidade e muita disposição, sempre fazendo brincadeiras e contando os casos como se fossem muito recentes. Lauro demonstra muito carinho pelas crianças, adora receber as visitas de seus bisnetos e, com muita alegria, entre outras histórias, nos contou com muito orgulho que ainda há alguns, fez o seu bisneto Erick dormir em seu colo. E assim, finalizamos essa narrativa parabenizando o Sr. Lauro Scherer e toda sua família pelos seus 100 anos, desejando que ele ainda nos brinde com muitas tardes de conversa e a riqueza da sabedoria de um centenário de vida!   
Com a colaboração da família de Lauro Scherer da Vila São Francisco – Cerro Largo/RS