A diminuição do desejo sexual faz com que muitas pessoas deixem o ato de lado nesta etapa da vida. Nosso corpo muda em todos os aspectos à medida que envelhecemos, e o desejo sexual também sofre alterações. Apesar disso, a prática do sexo proporciona momentos agradáveis também na 3ª Idade. Em primeiro lugar, é preciso deixar os tabus e velhos preceitos de lado ao falar sobre este assunto, afinal, sexo não tem idade.
Durante décadas, a medicina evitou olhar atentamente para o que acontecia com o desejo sexual ao avançar da idade. Profissionais até presumiam que o sexo simplesmente deveria sumir da vida da pessoa com o tempo e que isso nem faria falta para ela. Hoje, com estudos mais amplos e sólidos sobre esse assunto, é possível afirmar que as coisas não são assim.
Com o avanço da idade, é comum que as pessoas percam o interesse pelo sexo e todas as suas vantagens pelos mais diversos motivos. Por exemplo, problemas físicos podem tornar a prática incômoda e dolorosa ou a libido pode simplesmente desaparecer.
Também é preciso considerar que um corpo de 60 ou 70 anos não é o mesmo que um de 30. As mudanças próprias do envelhecimento são inevitáveis e afetam tanto homens quanto mulheres. É por isso que quanto mais velhos ficamos, mais tempo e estímulos precisamos para sentir prazer.
É claro que boa parte da “culpa” é dos hormônios: com a idade, a produção de testosterona, hormônio que ajuda a provocar o desejo sexual em mulheres e homens, diminui. Além disso, o corpo feminino perde estrogênio, sendo outra alteração biológica que pode interferir no desejo sexual.
Curiosamente, mesmo com a queda de hormônios, existe uma “máquina sexual” que permanece ativa: o cérebro. Pode-se até dizer que ele é o maior órgão sexual do corpo humano. Além disso, a visão e o peso relacionado à prática sexual podem influenciar a forma como o cérebro lida com o sexo. Por exemplo, há mulheres que na pós-menopausa dizem sentir mais interesse pelo sexo do que antes, especialmente por não precisarem se preocupar se vão ou não engravidar.
Sem dúvidas, pode ser embaraçoso discutir o assunto; no entanto, se o objetivo é envelhecer mantendo essa parte da vida ativa, é essencial conversar com profissionais médicos sobre as preocupações, mesmo que seja apenas prevenir um eventual problema.
Especialistas podem verificar os níveis hormonais por meio de exames de sangue, recomendar ações preventivas e medicamentos e até orientar sobre como lidar com o sexo na terceira idade de forma tranquila.
O sexo por si só, já traz diversos benefícios para a saúde. Entretanto, é possível identificar vantagens específicas que o ato sexual traz para a terceira idade.
Pesquisas acadêmicas, nesse sentido, exploram esse universo. Descobertas apontam desde melhora no bem estar geral até redução do câncer de próstata.
A relação sexual madura pode indicar maior satisfação com a vida e até ser a chave para um casamento de sucesso. Pelo menos, isso é o que indicam dois estudos.
O primeiro, publicado na revista “Sexual Medicine”, entrevistou 6.879 adultos com média de 65 anos e apontou que o bem estar geral dos idosos melhorou se eles realizaram alguma atividade sexual nos últimos 12 meses.
O segundo, publicado no “The Journals of Gerontology: Series B”, estudou casais entre 57 e 85 anos e concluiu que aqueles com mais frequência sexual eram mais felizes e tinham uma visão mais positiva em relação ao casamento.
Além disso, a vida sexual na terceira idade pode até melhorar a habilidade cognitiva. Uma pesquisa identificou que casais maduros tiraram notas maiores em testes de fluência verbal e apresentaram melhor capacidade de percepção espacial. Ou seja, a relação sexual serviria como uma espécie de exercício para o cérebro, ajudando a mantê-lo em forma à medida que envelhecemos.
O sexo também pode ser responsável pela pessoa parecer de 5 a 7 anos mais nova, aponta outra pesquisa. Isso ocorreria, pois a relação sexual provoca a liberação do hormônio do crescimento humano. Sendo assim, a pele se tornaria mais elástica – o que evitaria o uso de vários produtos cosméticos.
Por fim, o ato sexual seria responsável pela diminuição do câncer de próstata. Um estudo realizado com homens de 46 a 81 anos identificou que a ejaculação com frequência – estipulado no artigo como 21 vezes ou mais no mês – reduz a incidência do câncer em 33%, isso em relação a outros homens que ejacularam entre 4 e 7 vezes no mesmo período.
A saúde sexual é importante em qualquer idade, e o desejo de manter relações é atemporal. Mesmo que o sexo não seja o mesmo, homens e mulheres podem descobrir novas perspectivas que tornem a prática ainda mais gratificante.